Thursday, April 27, 2006

Numa sociedade ideal, não existem subidas

Tive um sonho. Um pouco alucinado, sem dúvida derivado do cansaço, em que viviamos numa sociedade perfeita. E nessa sociedade, fosse qual fosse o nosso destino, o percurso para lá era a descer. Nada como a merda de caminho que fiz desde o trabalho até casa, de bicicleta.

O nosso país é hilariante. Somos pobres, mas temos um custo de vida alto. Uma das despesas do dia a dia é o combustível. Seria de pensar que em curtas distâncias, fosse preferível andar a pé, ou ainda, de bicicleta. Vivo a 5 km do local onde trabalho, não é nada de mais perder 20 min. e poupar uns trocos. Mas não o faço com frequência. Acho que não gostam de mim quando ando de bicicleta. O incómodo que causo aos condutores é tal, que tenho dificuldade em dormir à noite. O próprio sistema não gosta que eu ande de bicicleta. Quando estabelece um plano para reparar um troço de estrada, deixa a berma de fora, para poupar dinheiro. Devem achar que ninguém a usa. Sim, naquele estado, é capaz de ser verdade.

Segundo o código da estrada, uma bicicleta é um veículo. No entanto, com estradas onde mal cabem 2 carros em sentidos opostos, um veículo destes causa muito transtorno. Lá fora percebem isso, portanto são construídos passeios para peões e bicicletas. Cá, até se colocam sinais de trânsito a bloquear as bermas. "Perigo, zona de acidentes" - Ora foda-se, com um sinal à frente depois duma curva, você também estaria em perigo.

Não chega já ser sempre a subir, ainda um gajo tem que ir com atenção aos obstáculos, parece que estamos nos x-games. Também gosto dos camiões estacionados a ocupar a berma toda e metade da estrada. Enfim, quando estou cansado fico um bocado mariquinhas. Mas que gostava de cagar no carro e andar mais de bicicleta, gostava. Enfiem o euro e trinta e quatro o litro no buraquinho do cu, filhos da puta.

A compra da bicicleta teve piada. Fui ali ao Jumbo, olhei, vi logo o que queria. Era vermelha, moderna, CARA. Tudo o que se pode querer numa bicicleta. No entanto, antes que chegasse a senhora responsável pela zona, para a tirar do suporte aéreo inteligente, a 2 metros do chão, chega-me um brasileiro ao pé de mim com 2 amigos, e começa a fitar a mesma bina que eu. O vermelho puxa o olho. Ora, caralhos m'a fodam, podem entrar cá para dentro, mas acho que ainda existe algures uma lei qualquer que defende que sós os portugueses é que podem ter coisas boas. O gajo volta-se para mim e diz: "Sabi quanto pesa?" - Não, mas deve ser bué. "É bunita" - Sim, mas eu cheguei primeiro. "Num faix mau, tô só chekando" - Ainda bem. E a comentarem uns para os outros "bein legau pra mandá pró brasiu". Não há bicicletas no Brasil? "Sim, mas é caru, aqui fica ein conta". Foda-se, é a mais cara que aqui está.

Nisto chega a senhora, que me diz que a posso tirar eu mesmo (tava-se mesmo a ver), e também concordei que era melhor, tratava-se de uma rapariga, até me sentia mal de ficar ali a vê-la escavacar-se toda para tirar aquilo lá de cima. Nisto, os brasileiros perguntam: "Num tein outra?". Não. Só o que está exposto. Então bazaram. Volto-me para a senhora e digo: "Olhe, afinal vou tirar a azul".

Tuesday, April 18, 2006

Alemanha

O que é? Um país. Mais precisamente, um país que teve a honra de receber Minha Excelência, eu próprio, pelo período de 1 semana. E qual é o propósito de um blog, se não for para partilhar e relembrar mais tarde, as bonitas experiências da vida. Não poupando nos pormenores, como é óbvio.

Ora, para alguém que nunca gostou do conceito de entrar num avião, o planeamento da viagem podia ter corrido melhor. Ao invés de um vôo directo, encavaram-me (bonita expressão alentejana para descrever o acto que um sujeito pratica sobre outro, por detrás e com as calças do último em baixo) com escalas em Munique, a caminho de Leipzig (o destino). 4 vôos para ir e vir, o dobro da probabilidade de morrer. Agora pergunto eu: existe mesmo assim tanta necessidade de colocar a vida de alguém (p.e. eu, e afinal é o que interessa) que não se conhece, em perigo, além do necessário, para atingir o mesmo objectivo? Julgo que não. Adiante.

Esquecendo um pouco a viagem de avião (e uma de carro que fiz por lá, numa daquelas auto-estradas sem limite de velocidade, onde por várias vezes me vi forçado a rezar aos deuses e ao Eusébio para que o motor do mercedes gripasse, sem sorte, raios partam a tecnologia alemã), passo a descrever o que vi por lá. Cheguei de noite, a uma quinta, no meio do campo. Não se via puto, tive que esperar pela manhã para perceber onde raios estava. Saí, parei e olhei. Tudo à volta era verde, lembrava a primavera em Portugal, mas fazia mais frio que no Inverno. As casas eram parecidas às nossas, exceptuando pelas pinturas de guerra desenhadas nas paredes e os telhados em forma de capacete do Darth Vader (tenho fotos). Pus-me a caminho da vila mais próxima, cujo nome não me atrevo a pronunciar, pronto a dar uma olhadela aos stands, para ver se salvava um carrinho desta experiência maluca que é ir à Alemanha quando estão 25 graus em Portugal. Gostei do que vi, por pouco não me decidi a ficar por lá, a recolher o lixo, porque ao menos assim podia comprar um audi ou um bmw, já que aqui, como engenheiro, ainda vou de bicicleta para o trabalho quando o tempo "tá" bom para poupar uns trocados...

Nos dias seguintes, em casa ou na rua, o meu conhecimento sobre a cultura alemã aumentava a olhos vistos. Uma autêntica "esponja cultural", este homem.

Assim, aqui ficam algumas curiosidades que aprendi sobre aquele país:

Dos 100 canais televisivos, 90 eram em alemão. As casas não têm persianas, e o sol nasce às 5h. As portuguesas são MUITO melhores que as alemãs. Quando inquiridos, 100% dos alemães afirmam não falar inglês, mas descobri mais tarde que, se cagar na pergunta e começar directamente a falar, a maioria percebe e responde de acordo. Na páscoa, as árvores são decoradas com ovos, como se faz no natal, com enfeites. Os alemães também passam os vermelhos. Para eles, desde que não neve, está bom tempo para comer gelado numa esplanada. Lá os chapéus de chuva são para mariquinhas. Na cidade, chegas ao meio de um mercado de ciganos e apanhas wireless no teu portátil. A cerveja deles escorrega realmente bem, custa é 2,5 euros o copo. Muitos alemães deixam a porta destrancada à noite. Os polícias alemães são mais simpáticos que o resto da população. E finalmente, para acabar em beleza, ainda podes ir a uma disco alemã e ouvir Whigfield com o seu hit "saturday night".

Agora que já sabem onde é que eu estava metido, permitam-me partilhar convosco alguns momentos mais fora do normal que tive (não desesperem, dá para rir um bocado).

Às páginas tantas, vejo-me convidado para um casamento entre um português com uma alemã. Não presenciei o casamento, mas estava lá para o copo de água, só com o pequeno-almoço no estômago, a pensar na paparoca. Ora acontece que, sem grande justificação para tal, os alemães não se sabem casar, embora como nós, já o façam à muito tempo. E digo isto porquê? Após a viagem de hora e meia, já a barriguinha ia um bocado a dar horas, vejo-me chegado ao copo de água e... nada. Nem uns croquetes, nem umas fatias de pão. Só cerveja. E um gajo não pode dizer que não, ou ofende (aprendi isso no "padrinho"). E depois da cerveja, já ia mais outra hora e tal decorrida, o champagne. E como nem percebia muito bem o que se passava, só dizia "ya, ya". Longe de mim arriscar ser responsável por um incidente diplomático.

Finalmente, já a minha cabeça tinha um tamanho considerável, oferecem-me uma fatia de bolo dos noivos com um cafezinho. Bolo dos noivos? Antes da comida? "Isto será legal?", pensava eu. Não disse que não. Não podia. Adiante.

Já passava das 18h quando começou a cheirar a comida. A minha irmã já tinha ido ao carro malhar uns croissants que tinhamos comprado no lidl, e que supostamente eram para a semana toda.

Começa a malta a comer, self-service (admite-se?), quando chegam os animadores. Dois alemães que para sacarem reacção dos tugas tiveram que meter a música "love generation" do Bob Sinclar em repeat durante meia hora. Quando o noivo me disse que iamos ter um fadinho mais à frente, até chorei de emoção por ir ouvir cantar português.

Mas o melhor ainda estava para vir. Já que até aqui foi tudo ao contrário, só faltava mesmo aquilo que inicia qualquer bom casamento: A despedida de solteiro. Então, ao final da noite, arranca o bom striptease ao som de rammstein. Houve direito a uma ovação de pé. A rapariga merecia. Actuou até já não ter onde segurar as notas. Bravo. Por esta altura, não havia lá ninguém que não tivesse já a planear o seu casamento na Alemanha. Adiante.

Outra situação caricata que me aconteceu, foi estar um dia em casa a jantar (e lembrem-se, a malta não tranca as portas), quando me entra pela sala um puto alemão, não devia ter mais de 20 anos, a cair de bebâdo, a perguntar pela festa de anos da Tânia (seja lá quem for), isto numa quinta, no meio do mato, a quilómetros da civilização.

Já tinha ouvido falar de bebedeiras de andar 3 dias à procura de casa, mas nunca tinha realmente visto nenhuma.

Após termos confirmado que realmente ninguém nas redondezas conhecia o puto, o gajo nota que não éramos alemães, e pergunta-nos o que bebiam os portugueses. Quando soube que era vinho ofereceu-se para ficar. "Fica para outra vez jovem, vai lá à procura da Tânia". E ele foi.

Bom, acho que não fica muito por contar. Não me vou pôr para aqui a falar de monumentos ou derivados. Também não vou contar o que me ia na cabeça dentro dos aviões. Nem quando imediatamente antes da descolagem, passa por mim um mecânico com um alicate e uma chave de fendas. Ou quando o motor da esquerda não arrancou ao mesmo tempo que o da direita. Ou quando as hospedeiras insistiam em mostrar-me o funcionamento de um colete salva-vidas, ao invés de um pára-quedas.

Uma experiência para repetir? Dizer que não, ofende.

Friday, March 24, 2006

V for Vendetta

Ando a denotar um tom de revolta no meu blog. Se fosse analisado por um psicólogo, julgo que o senhor diria que a minha escrita é um "escape", uma forma de colocar cá fora a minha opinião sobre muito do que se passa em meu redor, uma vez que ninguém está realmente disposto a ouvir-me (obviamente).

Sendo assim, achei por bem escrever sobre algo que gostei. "V for Vendetta" foi, para já, o filme do ano. Sendo um filme sobre comics, convém ter-se consciência do que se vai ver. Heróis, vilões, donzelas em apuros, muita acção e efeitos especiais. Mesmo como se quer um filme :) Mas filmes assim, há aos pontapés, e não é isso que torna este especial.

Fora um facto que é praticamente dado como certo durante todo o filme, e que se confirma no final, é impossível saber o que irá acontecer a seguir. Ficamos colados à cadeira durante 2 horas, e dificilmente durante algum momento não estamos embriagados pelo que estamos a ver.

O herói é genial. Personagem da DC Comics (bolinha com um R aqui), daqueles menos conhecidos, provavelmente porque não é um dos "vitalícios" como o Super-Homem ou Batman, ficou para já imortalizado na história do cinema, como parte de um dos melhores filmes sobre um comic de sempre. O actor escolhido para o papel... dificilmente poderia ter sido melhor. Sendo alguém que não mostra cara, o importante mesmo era a voz. E caraças, que a voz do Hugo Weaving caiu no "V" que nem um meteorito no armaguedão. A pinta da máscara também está muito lá. Em memória de Guy Fawkes, um dos responsáveis pela tentativa de assassinato falhada do Rei James I, em 1605, que ficou conhecida como "a trama da pólvora", e que ainda hoje é recordada nalguns países, no 5 de Novembro. Supostamente, Fawkes era um homem decente, e tentou incitar uma revolta contra um Rei "tirano". Para lembrar essa data, surge uma frase mencionada neste filme, que sem dúvida, não é fácil esquecer:

"Remember, remember, the fifth of November, gunpowder treason and plot. I see no reason why the gunpowder treason should ever be forgot."

Apesar desta fonte de inspiração, a acção do filme decorre num ano futuro, onde após muitos conflitos armados, o governo inglês resolve instaurar medidas ditatoriais para manter a paz. "V" é um terrorista que procura vingança contra este governo, procurando realizar aquilo que Fawkes não conseguiu, há 400 anos. Pelo caminho ainda conhece a personagem de Natalie Portman, Evey, outra boa adição a este filme, mas a outro nível.

O vilão é irritante com'ó caraças, absolutamente detestável, o que é sempre bom num filme do género.

Os efeitos especiais estão ao nível por mim considerado ideal. Nada de animação exagerada por computador, ou seja, os efeitos complementam o filme e não o contrário.

Apesar disto tudo, ontem ainda consegui ouvir um senhor na Sic Notícias a criticar negativamente este tipo de filmes. Senhor já na casa dos 50-60 anos. Foi até ao cúmulo de comparar as receitas de um filme como este, a filmes de menor orçamento, sem dúvida com qualidade, mas que atraem muito menos audiência. Na opinião do senhor, deviam deixar de fazer filmes como o Star Wars, ou Batmans. Nem comento o facto de darem tempo de antena a alguém assim, porque não quero marcar um post tão decente com palavras menos apropriadas.

Viva la revolucion!

Sunday, March 19, 2006

Aquela selva arredondada...

Estou a falar, claro está, das rotundas em Portugal. E chamo-lhe selva, porque os portugueses, ao chegarem a uma, se comportam como animais. E porquê? Tenho aqui a oportunidade de referir o blog de um amigo meu, psicólogo de profissão, tanto ou mais parvo que eu, que escreve sobre o individualismo social em http://the-abstract.blogspot.com/2006/02/era-uma-vez-uma-bolha.html

De que forma se aplica isto às rotundas? Bom, comecemos por outro lado. Explicar o porquê de eu ficar fodido quando se recusam a cumprir com o que está certo, só porque "não dá jeito", ou porque simplesmente são nabos.

Eu sou uma pessoa lógica. Sempre fui. E agora que ando metido nos computadores, já penso em 0's e 1's. Assim como o código da estrada. É 80% lógico e intuitivo. Passei o meu primeiro exame de código, devia ter uns 10 anos. Estava no 5º ano, foi feito um exame de 20 perguntas, mais do ponto de vista dos peões e veículos sem motor, mas com perguntas que ainda vi no meu exame de condução, aos 18. Nunca tinha estudado o código da estrada, errei 2 em 20, conseguindo o melhor resultado na escola (acreditem, não foi proeza nenhuma), para não variar. 10 anos. E, se nessa altura, alguém me tivesse ensinado a conduzir em rotundas, eu tinha percebido. Aparentemente, sou um génio, uma vez que, aparentemente, sabia mais aos 10 anos, que os caramelos que hoje andam atrás de um volante. Pior. Há quem saiba, e se recuse a cumprir. Adiante.

Afinal, como se deve abordar uma rotunda? Na altura em que tirei a carta, não existia um algoritmo específico. Tanto que, para o meu instrutor, aqui na minha terra, cada rotunda tinha uma maneira diferente de ser abordada. Ainda pensei em levar cábulas para o exame de condução, mas não tinha espaço para todas e pensei: "que se foda".

Nessa altura, os acidentes em rotundas eram mais que muitos. Finalmente, alguém teve o bom senso de, mais uma vez, adicionar um pouco de lógica ao código da estrada, estipulando que, e passo a citar: "há que obrigar os condutores a circular sempre nas faixas interiores, sendo apenas permitida a passagem para a zona exterior no troço imediatamente antes da saída desejada" (in http://automotor.xl.pt/aut/0903/a01-00-00.shtml). Complicado?!

Dito de outra forma: Só entram numa rotunda encostados à direita se forem sair na 1ª saída, e em mais NENHUMA situação. Se forem em frente, ou sair na 2ª saída, já não encostam à direita, ficando numa das faixas mais à esquerda. Não interessa o número de faixas da saída, mas sim o da entrada.

Agora, a parte complexa, e que faz com esta "receita" não funcione: Quando há um acidente, provocado por um condutor ao tentar mudar para a faixa exterior, antes da sua saída, ou seja, agindo correctamente, aparentemente e tanto quanto julgo saber, este condutor não terá automaticamente razão. Porque não? Se envolvido no acidente estiver também um transgressor, que ia a PASSEAR pela faixa de fora, desde que entrou na rotunda, porque raios não é ele a arcar com as culpas? Bom, ele já lá estava, e o 1º é que lhe foi bater. Então para que serve esta bela merda de "instrução", enquanto houver quem se recuse a cumpri-la? Para foder quem cumpre?

A ausência de acção neste assunto, por parte da própria autoridade, contribui para que seja muito complicado convencer seja quem for a fazer o que é correcto, em deterimento do que é mais fácil. E todos sabemos que não é possível apelar à consciência de cada um, porque simplesmente, isto só está a dar para quem se está a cagar para os outros.

Thursday, March 16, 2006

OPA

É impressão minha, ou agora é moda rejeitar OPA's (leia-se, Ofertas Públicas de Aquisição)?

- "XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX MIL MILHÕES DE EUROS!!!"
- "hmmm... nop."

Vemos ofertas de empresas que primam pela competência, a empresas cuja liderança não vale um cú. Deveria ser lógico. É o processo de selecção natural. Os nabos saem, os bons ficam. Mas não. Neste país, ser nabo é aceitável. E então, uma administração estagnada, com políticas, recursos e decisões ultrapassadas recusa-se a levantar o rabo das confortáveis cadeiras administrativas, apesar da (ENORME) compensação financeira.

- "Para que serve o dinheiro, afinal, se não tivermos poder?"

Mesmo que se fodam os clientes, forçados a aceitar as condições que lhes são impigidas, por falta de alternativa (nalguns casos), e que vêm assim desperdiçada, a oportunidade de melhoria de serviço.

E depois da primeira OPA falhada, outra OPA. E outra. Também rejeitadas. É a moda de 2006. Fazer OPA's e/ou recusá-las. Dá para aparecer na tv e tudo.

E a propósito, gosto de que, agora, durante uma crise económica como a nossa, cada vez que surge uma notícia, sobre qualquer tipo de aquisição ou oferta, é sempre "MIL MILHÕES DE EUROS". Já nada custa "milhões". É sempre milhares de milhão (biliões, como dizem os americanos). Seria de pensar que, como isto está, já um espanhol pudesse comprar o país todo por menos que isso...

Wednesday, March 08, 2006

Paris Hilton e sexo

Recebi num mail, um vídeo da Paris Hilton em todo o seu explendor oral (leia-se, a fazer um broche), com um tipo qualquer.

...

Tou-me profundamente a cagar, mas queria que cada vez que alguém escrevesse "Paris Hilton", "sexo" e "broche" no google, viessem parar ao meu blog, enganados.

Publicidade oferecida. Há que adorá-la.

PS: Para internacionalizar a coisa, fica um pequeno excerto do dicionário pt-inglês.

Paris Hilton - Paris Hilton

Broche - Blowjob

Oral - Oral

Sexo - Sex

Friday, March 03, 2006

HI5

Ora, eu sou aquele tipo de gajo ingénuo, que gosta de acreditar no melhor de cada ser humano. Já me têm dito que sou parvo, que o mundo é uma selva, mas não! Não posso acreditar que cada um apenas se preocupa consigo mesmo, e que está disposto a espezinhar qualquer um para conseguir seguir a sua vidinha com menos uma preocupação.

Sou patego. MAS NÃO TENHO A MINHA VIDA ESTAMPADA NO HI5!!

Mais uma vez, a minha ignorância não tem limites. Já oiço falar no hi5 há anos, sem nunca ter tido a puta da curiosidade de ver o que era. Até criei lá um perfil, há cerca de um ano, adicionei 2 ou 3 amigos, e fartei-me. Tava visto. Nunca mais lá voltei.

De repente, surge-me um convite no mail, para aceitar como amigo, certo e determinado indivíduo. Tudo bem, vou ao meu perfil, fico um bocado perdido nas opções mas lá encontro a coisa. Ao pé disso, um link para o perfil do meu amigo...

... hein?

Fui lá... E entrei. Pensei "hmmm o boi já me devia ter adicionado, e autorizado. Ok porreiro." Ao lado, uma galeria de fotos de gajas. E eu, que já reparei que quando entro no meu perfil os senhores do hi5 fazem o favor de me presentear com tudo o que é gajedo da minha "network", pensei que se tratasse do mesmo. Errado. Por cima dizia "boi's friends". Amigos? Este gajedo todo? Aquele cromo? Bom, seja. Adiante.

Preparava-me então para seguir com a minha vida. Inadvertidamente passo com o rato por cima de um dos amigos, e surge-me aquela mãozinha no rato, que aparece quando navegamos por cima de um link. E aí ainda pensei: "é p'ra aumentar a foto das gajas". Errado outra vez. Clicando em cima duma das febras de qualidade, "amiga" do boi do meu amigo, vou parar... ao perfil da gaja. Eu. Mas eu não conheço a gaja. Não sou amigo dela. Mas tenho acesso à informação toda. Já sei o nome, idade, cidade, gostos e orientação sexual. E ao lado, tenho a galeria dos amigos, desta vez só gajos.

Que raio?

Então ainda pensei: "Algo se passa. Se calhar o boi adicionou uma daquelas gajas fictícias, enganado. A gaja não existe. Porque se existisse, não metia na net, para todos verem, fotografias suas em lingerie, e dos seus amigos em lingerie, e da família em lingerie."

Durante 2 segundos, fiquei descansado. Até que, um pouco mais à frente, na lista de amigos do boi do meu amigo, outro borrego que eu conheço. "É impossível que este link que leve à página de informação deste gajo", pensei. "Este sei que existe mesmo, e sei que não me adicionou como amigo". Errado (sim, não dei uma para a caixa). Cliquei na foto, e voilá. Perfil do borrego. A partir daí foi o descalabro.

Perfis de amigos de amigos de amigos de amigos meus. Tudo ali. E quem é amigo de quem. E este dizia que era meu amigo, mas se calhar não é, pelo que diz o hi5. E este meu amigo conhece esta minha amiga. E este outro, que é um anti-social do caralho, tem 50 amigos. E esta gaja boa aqui, tem 300, e é amiga do meu amigo, embora o cabrão nunca me tenha apresentado. Com certeza também gostava de ser minha amiga, com a breca! Até porque nesta altura, comecei a pensar que os convites para amizade, provavelmente não podem ser recusados! Claro, faz todo o sentido. É muito mais que um site de engate. É um site que força a amizade. Um site para aumentar o convívio da humanidade. Um site que tenta atingir à bruta, a paz no mundo. Mesmo que para isso seja preciso violar a privacidade ou direitos deste ou aquele. Obviamente, americano.

Mas não. Os convites podem ser rejeitados. Mais. Nem é preciso rejeitá-los, basta não os aceitar. Eu testei. Com 10 ou 15 gajas. Funciona. Mas eu não tenho foto em tronco nú. Não tenho fotos do meu cachorrinho. Não tenho fotos minhas em bebé. Quem haveria de aceitar amizade de um bronco destes? Mas é bom saber que tenho um stock de amigos na net, à distância de um click.

Não ficava tão parvo com a realidade cibernauta em que vivo, desde a cena dos aniversários.

Friday, February 10, 2006

Ser engenheiro

Resolvi partilhar com vocês aquilo que é realmente ser engenheiro, baseado na minha experiência.

Engenheiro é:

- Alguém que fez o curso com aproveitamento a 20% das cadeiras porque os professores sobre-valorizaram o lixo que corrigiram no exame, e/ou ofereceram valores porque senão os chumbos eram muitos e podia dar a imagem de que o(a) senhor(a) em questão não fosse bom professor(a);

- Alguém que fez o curso com aproveitamento a 10% das cadeiras porque arredondaram os 9 para 10 na discussão de prova, que não é bem uma discussão, mas mais uma conversa amigável, por vezes sobre bola;

- Alguém que fez metade dos projectos propostos, deixando a outra metade para o colega, sem tão pouco ter lido os enunciados;

- Alguém que fez o curso com aproveitamento a 10% das cadeiras devido erros do professor, seja a corrigir, a avaliar, a fazer os exames, sacando por vezes um 16 que devia ter sido 11;

- Alguém que passou a 80% dos exames porque os do ano anterior eram parecidos. 30% dos quais com boas notas, porque eram praticamente iguais;

- Alguém que até hoje nunca deixou de estudar de vésperas. Até porque com exames dia sim, dia não, tem mesmo que ser;

- Alguém que memorizou 10% do que deu durante o curso;

- Alguém que não foi a metade das aulas, por motivos de entertenimento;

- Alguém que absorveu mais alcool que informação durante o curso (bom, talvez não no meu caso, mas no geral);

- Alguém que teve professores como ninguém acreditaria. Uns, pedem-nos para rezar durante uma aula. O mesmo fez-me apresentar 3 vezes durante 3 aulas seguidas até se aperceber que já me conhecia. Outros, vão buscar-nos ao bar quando percebem que não vamos de lá sair sozinhos. Alguns ainda fumam na sala de aula. Para outros, a primeira meia-hora de aula deve ser passada a discutir aquele que deverá ser a imagem para o background ideal para os respectivos ambientes de trabalho no windows. Um pensava que desligar e ligar o monitor resolveria problemas num programa. Enfim, adiante;

- Alguém que foi educado a ausentar-se da sala sem pedir licença para atender o telemóvel;

- Alguém que, desde que teve wireless na escola, passou as aulas todas a "surfar". Bom para acompanhar os relatos da bola, de vez em quando;

- Alguém que com isto tudo, ainda acabou com média 3 pontos acima do mínimo;

- Alguém que não é necessariamente inteligente ou talentoso;

- Alguém que, sem nunca ter trabalhado, consegue fazer um curriculum de 4 páginas A4;

- Alguém que no final, acaba por ter um emprego onde tem tempo para escrever em blogs.

Monday, January 23, 2006

...

Faz sentido. No ano em que eu resolvo gozar com o Beto, à frente de toda a gente, o gajo baza mesmo. Lagartos do caralho.

Thursday, December 22, 2005

A todos um bom...

É verdade! É finalmente chegada aquela altura do ano. Aquela altura, para a qual muitos se estão a cagar (eu incluído), mas que para outros significa um momento muito particular no ano, emocionante, "stressante" até, que lhes aperta o coração, e sempre com o potencial de ser financeiramente duvidoso. Nesta altura, gosto sempre de tentar lembrar a essa malta, que não vale a pena tamanho alarido, e para se preocuparem com assuntos mais sérios. Em vão. É como se algo se apoderasse dessa gente, que apesar de viverem numa profunda crise económica, continuam a gastar dinheiro em futilidades, como uma "Bola" ou um "Jogo", que partilham com os que lhes são mais próximos, e às vezes até com meros conhecidos.

Todos os anos isto.

É aquela altura do Beto dizer que vai sair do Sporting. Lagartos do caralho.

Tuesday, December 13, 2005

Dumbs on Weels

Após longa ausência, sem tempo para partilhar com o estimado leitor mais um pouco do meu génio literário, eis que, sou confrontado com uma situação do mais aparvalhado possível, segundo a minha humilde opinião.

Então, um destes dias, enquanto via as notícias à hora de almoço, como cosmopolita bem informado que gosto de dizer que sou, reparo numa iniciativa formidável, de uma associação qualquer, penso eu, de apoio a deficientes. Até aqui tudo bem, tudo muito nobre.

O problema surgiu quando ouvi a descrição da dita iniciativa. Uma campanha de sensibilização, onde qualquer pessoa se podia dirigir à sede, e experimentar a sensação de andar numa cadeira de rodas, e tentar executar determinadas tarefas, como por exemplo, jogar à bola (!)...

...

...

...ou seja, aparentemente há gente por aí que pensa que andar de cadeira de rodas é bom?

- "Epá, foda-se, agora é que é! HEHE deixa lá ver se aquela merda é mesmo assim tão má, que eu cá para mim os deficientes andam é armados em finos!"

FODA-SE...

1º. Andar numa cadeira de rodas por OPÇÃO não dá a puta da noção que é, ter que lá ficar o resto da vida.

2º. Mesmo que desse, será que alguém tem dúvidas que é realmente uma tristeza do caralho não se poder andar?!

O mais estúpido disto tudo. Já tenho assistido, no Hospital da minha terra, a episódios em que um doente chega à urgência sem condições de andar e não tem cadeira de rodas para se sentar, sendo obrigado a esperar que abra uma vaga. Ora, chamem-me mamado dos cornos, mas e que tal ir buscar as cadeiras que tão a ser usadas para pessoas saudáveis brincarem de vez em quando?


Eu sou assim, um idealista inconformado com as injustiças da sociedade. Ou então curto é gozar com borregos assim. Fica ao critério do leitor.

Friday, September 09, 2005

Aniversários

Acabei de tomar conhecimento de um facto que me deixou perfeitamente aparvalhado, seja pela minha ignorância, seja pelo facto de ter sido confrontado com aquilo a que considero como um dos maiores cúmulos a que alguma vez assisti.

Ora, do ínicio: Já todos devem ter recebido, nas respectivas caixas de correio, convites para colocarem o vosso aniversário no seguimento de um link, vindos de alguns contactos da vossa lista.

Sem pensar meia vez no assunto, descartei automaticamente tamanha porcaria como Spam, perfeitamente consciente e seguro de que não haveria qualquer tipo de hipótese de que, alguém, no mundo, fosse ter a puta da mais estúpida de ideia da qual eu me lembro neste momento, de inventar um serviço de agenda, onde uma merda dum preguiçoso qualquer pudesse apenas meter o caralhinho do nome, enquanto a agenda era preenchida pelas pessoas que nela figurariam.

A esta hora já perceberam. Eu, e talvez isso faça de mim o maior ignorante da internet, descobri AGORA que aqueles convites me foram propositadamente enviados por conhecidos meus, que estavam à espera que EU lhes preenchesse a puta da agenda com o meu aniversário.

Visto alguns tratarem-se, de facto, de amigos, pessoas pelas quais tenho o maior respeito e que, se me tivessem avisado, até me podiam ter persuadido a preencher aquilo, suavizei a crítica a este serviço, como aliás, se nota. Porque a minha indignação é grande.

Mas receber esta merda de gajos que nem curto. Foda-se. Revolta uma pessoa.

Ainda relacionado: A agenda em questão, avisa o proprietário, atempadamente, por e-mail, do aniversário de um(a) amigo(a), por forma ao mesmo poder reencaminhar um pedido de parabéns. Porque é isso que se faz quando se adere a algo do género (válido para os reminders dos telemóveis, também). O dispositivo, seja ele qual for, fornece-nos a informação da chegada do aniversário, que afinal, é, a meu ver, a parte onde realmente se vê a importância que damos à pessoa em questão. Conclusão: No século XXI (o mesmo século em que a minha irmã, já me deu os parabéns da casa-de-banho ao lado do meu quarto, por sms) quando recebemos os parabéns de alguém, existe a forte possibilidade de estarmos na mente dessa pessoa, não pela importância que temos, ou mesmo pelo facto de fazermos anos, mas sim porque algures, num microprocessador, um trigger foi despoltado por causa de informação em memória.

Existe uma diferença entre "Desculpa, esqueci-me" e "Parabéns. Esqueci-me, mas o telemóvel avisou-me". E não é para melhor.

Considerem-me retrógrado, mas a perda de certos valores e costumes na sociedade, fode-me um bocado a beleza da vida.

Saturday, September 03, 2005

Sair "à noite"

Sair "à noite". Ir "prá night". Curtir a noite. Foda-se. O mundo à noite é igual, caralho, a diferença é que não se vê ponta dum corno.

Aprendam a dizer "vou a um bar". "Vou a uma discoteca". "Vou dar uma volta".

Termo estúpido. Putos do caraças.

Thursday, September 01, 2005

Spam

Devido ao facto de andar a receber publicidade não autorizada a dildos, aumentos do pénis, das mamas e sabe-se lá mais o quê, sob a forma de comentário no meu blog, resolvi activar uma opçãozita, que obriga a que, quem desejar comentar algum dos meus brilhantes momentos literários, tenha que passar por uma verificação anti-bots, merdosa, mas necessária, daquelas em que um gajo é obrigado a inserir, em texto, um conjunto de letras que aparecem sob a forma de imagem. Já me aconteceu andar entretido com algumas destas pérolas durante largos minutos, devido ao facto de alguns senhores mais labregos acharem que o método é mais seguro, se as letras forem cruzadas com uns riscos aleatórios coloridos e escritas em tipos de letra imperceptíveis. Concedo, no entanto, que desta forma, se torna possível eliminar bots, e também, utilizadores daltónicos.

De qualquer forma, a opção está ligada. Quem quiser comentar, a partir de agora leva com mais essa. Imagino que até os fãs de U2 vão ficar caladinhos a partir de agora.

A gerência lamenta. Pouco.

La Tortura

Nunca vi um título tão adequado a uma música.

Tuesday, August 30, 2005

Colocação de professores

Sairam hoje as colocações de professores não pertencentes aos quadros da função pública para mais um ano lectivo. 1 em cada 5 candidatos conseguiu colocação. Dos que conseguiram, alguns vão ter que se deslocar 200 km para dar aulas. Chamem-me ignorante, mas isto para mim não faz ponta de sentido.

O critério será a qualificação? Não. Têm professores de português a dar informática, foda-se! Gestores turísticos a dar técnicas de apoio à decisão no ensino superior!

E depois... bom, os professores que pertencem aos quadros... enfim, há com cada um que realmente não se percebe sequer como tirou um curso, quanto mais como terá chegado a professor.

Aqui na escola temos um, carinhosamente apelidado de "Fifi", visto ser o cãozinho de estimação da responsável pelo departamento de informática, sendo essa, sem dúvida, a razão pela qual, um aborto de competência daqueles alguma vez ter conseguido emprego, fosse no que fosse, que nem o caralho duma apresentação em powerpoint consegue fazer. Mas... é burro? Não. Limpa 600 contos por mês quando não merece um salário mínimo.

Aqui há uns anos, quando ainda não sabia quem ele era, comecei a ir ás aulas dele. O comportamento do senhor era, no mínimo, caricato, quando se lhe era colocada alguma dúvida. Dava lá a sua solução idiota, errada, e após verificar que não percebia mesmo nada do que estava ali a fazer, saia da sala por uns minutos. Voltava, depois, cheio de vontade de ensinar, e com um recém adquirido conhecimento esporádico sobre como resolver o problema em questão, vindo "sabe-se lá de onde". Esta merda dá para acreditar? Um professor (que hoje em dia é coordenador) sai da sala para ir perguntar à dona o que fazer. Enfim, avancemos na conversa, que já estou um bocado mal disposto.

Sempre ouvi dizer "Quem não sabe fazer, ensina". Apesar de haver, concerteza, excepções, essa parece ser a máxima do ensino em Portugal.

Duvido seriamente que exista uma optimização em termos de distância, quando se decide uma colocação. Colocar pessoas a 200 km de casa? Não havia ninguém a 100 km? É que, se colocassem toda a gente, seria natural haver alguns que teriam que se deslocar. Mas já que vão colocar 1 em cada 5, se calhar perdiam um pouco mais de tempo na selecção, digo eu.

Portugal no seu melhor.

Monday, August 29, 2005

Blogspot

Tinha eu terminado um belo dum post sobre o custo do petróleo, elaborado mas conciso, e quando vou para publicar, esta merda dá erro de login, e um "opçãozita de voltar atrás o caralho!", fodendo-me mais um momento de escrita brilhante. Se esta merda não fosse de borla...

De forma muito resumida, concluí que estamos todos fodidos, porque cada vez que um árabe solta um cagalhão menos perfeito, o preço do crude sobe. Nem pensar em repetir toda a porcaria que escrevi. A maioria já nem me lembro.

Friday, August 26, 2005

Pedido de desculpas, formal e açucarado

O óbvio aconteceu. Um post decente no meio da merda a que normalmente estão habituados, e a pretalhada queixou-se. Surgiram vários boatos, em apenas dois dias: "O verdadeiro autor foi raptado por extraterrestres, e colocaram um clone educado à frente do blog", "Apaneleirou" é dos comentários mais comuns, "A subida do preço do petróleo deu-lhe cabo dos cornos" (algo que até pode ser verdade e sem dúvida vai ser comentado aqui), "Arma-se muito, mas não passa dum bonacheirão lamechas" ou "deve estar doente". É este o nível de ignorância dos meus leitores. Assim, sinto-me compelido a explicar, em termos leigos (português da 3ª classe com muita caralhada à mistura), a minha epifania.

Homem que é homem, sabe admitir quando está, ou pode estar, errado. A alternativa é fazer figura de parvo, algo que muitas vezes passa despercebido, mas apenas ao próprio.

Mais. Acredito num equilíbrio literário. No meio de toda a merda, tem que existir qualidade. Numa relação 1/10, evidentemente.

Posto isto, considerei importante dar a entender um pouco mais educadamente, a minha posição em relação a determinados assuntos, para que também, as pessoas mais cultas que por alguma razão lêm isto, não saiam daqui a pensar que sou desiquilibrado mental. Dá para perceber por todos os meus posts, que me preocupo muito com a imagem.

Outro ponto, que me parece ser relevante. Apesar de no último post não ter praguejado nem UMA (!) vez, quero deixar bem claro: qualidade não significa ausência de caralhada. A caralhada é, como todas as outras palavras, uma representante verbal para uma acção, objecto ou pessoa, e que muitas vezes consegue dar uma exactidão descritiva que uma palavra normal nunca conseguiria. Sou defensor do bom palavrão português, e considero hipócrita quem se recusa a utilizá-lo em público. É claro que há situações onde um homem se deve conter. Filha minha não há-de ouvir a primeira caralhada antes dos 30. Obviamente, nunca lerá este blog.

Wednesday, August 24, 2005

Críticas e Palavrões

Já há algum tempo que não dou umas entradas neste blog. Falta de inspiração e/ou assunto. Contudo, hoje resolvi dedicar um pequeno texto aos meus amigos que admiram os U2, seja pela qualidade da banda, seja pela qualidade dos membros, como pessoas. Ainda por cima, o pessoal aqui no trabalho não está a conseguir meter os jogos a "bombar" online por causa dos routers e firewalls que assolam e destroem comunidades cibernáuticas hoje em dia. Mais vale aproveitar.

Escrevo este texto, porque já muitos me disseram que eu tinha uma ideia errada da banda, e porque eu, não sendo admirador, não posso descartar informação como sendo falsa, sobre algo que não conheço.

Então, esclarecer, sem exageros, o que não gosto em U2.

Começando pelo ínicio, eu desconfio da grande maioria das pessoas ligadas ao mundo do espectáculo, que são financeiramente abastadas. Faço-o, porque apenas as vejo quando todos as vêm, seja em concertos, em filmes ou programas de televisão. Aí, são todos uns porreiraços. Estão a vender o seu produto, seja ele qual for, e a encher os bolsos. A parte financeira incomoda-me, porque o dinheiro ganho não é necessariamente proporcional ao talento ou capacidade do sujeito, mas sim do quão as pessoas gostam dele. E gostam pelo que vêem do mesmo em público, porque não fazem ideia de como será em privado, por maior que seja o esforço dos paparazzi.

Concentrando-me em U2, lembro-me de uma vez ter ouvido um dos membros (não sei qual, e não sei se falava em nome de todos) dizer que eles eram a maior banda de sempre. Ora, da minha playlist privada, não consigo apontar qualquer banda que merecesse este título. Para mim, a haver um distinto vencedor, seria Queen, banda que também não oiço com regularidade, mas à qual reconheço qualidade em praticamente todas as músicas que alguma vez produziram. De certeza que os leitores terão a sua própria opinião, alguns considerando mesmo U2 como a melhor. Agora, ninguém me tira da cabeça que alguém que se ache o melhor de SEMPRE, num universo como o da música, sofre de óbvia falta de humildade e respeito para com os colegas. Adiante.

A música dos U2. Boa? Sim, sem dúvida, algumas boas músicas. Mas muito som pelo meio, que sinceramente me parece estar para a restante música, como o big mac está para a comida. Estou a falar apenas dos singles, claro. Não conheço o resto.

Os membros. Sei que o vocalista, aproveitando-se da reputação e fama que a banda lhe confere, tem bastantes iniciativas de teor humanitário. Quer o faça por bondade ou por interesses pessoais (quer se goste ou não, uma celebridade num hospital africano cheio de crianças subnutridas raramente acontece fora das objectivas da imprensa, e o impacto publicitário acaba por ser inevitável), a verdade é que produz resultados, e deve ser respeitado por isso. Idolatrado não. Existem imensas pessoas no mundo que gostariam de poder contribuir para causas nobres. Só que, como ostentam salários mínimos, muitas vezes insuficiente para alimentar uma família, não podem. A avaliação do carácter de uma pessoa, só pode ser julgada por aquilo que dá, quando em relação ao que guarda para si. E no caso de celebridades, o que guardam é bastante.

Concluíndo: Serão os alvos de crítica neste blog, injustiçados? Talvez. Isso importa? No fundo, não. Qualquer pessoa criticada injustamente deve ter condições para ignorar ou debater a fonte da crítica. Nem é o caso aqui, porque este blog não tem peso ou leitores suficientes para ser considerado seja o que for. É um escape, um diário, algo onde coloco praticamente tudo o que me vem à cabeça, e que acho que vou gostar de reler mais tarde. Como a grande maioria de leitura que faço, é técnica, é também uma forma de treinar o português mais clássico.

A minha pseudo-carreira como blogger fez um ano, sem que eu desse por isso. Acho que se justificava uma contagem oficial de palavrões, insultos e outro tipo de absurdidades que debitei para aqui. Mas não tenho paciência. É que foram muitas.

Vou continuando com este passatempo, sempre que tiver cabeça e assunto. Sabem, tenho uma ideia de que todos os bons escritores andam com um bloco de notas atrás, para anotarem as pérolas que melhor se adequam ao seu tipo de escrita, de forma a lembrarem-se delas mais tarde. Eu não sou um bom escritor. Quando estou no blog, não me lembro das pérolas. Quando oiço as pérolas é que me lembro do blog.

Friday, June 24, 2005

O comando

Não tenho cabeça para inventar, por isso vou directo ao assunto.

Sou o único a achar que as televisões deviam ter 2 comandos? Um para ter na mesa de cabeceira, ao lado da cama, ou sofá, e outro para ter noutro sítio estratégicamente pensado, por exemplo, uma secretária? É que quando um gajo se apercebe que deixou aquela merda no outro spot, já está sentado/deitado!

Parece que vivemos no 3º mundo, ou o caralho...

Foda-se.