Thursday, April 05, 2007

Campo Pequeno

Caro leitor, se não está com paciência para ler mais um dos meus desabafos cínicos, sorte a sua que tudo aquilo que escrevo vem sempre acompanhado de uma mensagem intrínsica de elevada nobreza e valor moral. Embora não pareça.

Então, estava eu na conversa com a minha Maria, quando ela me chama a atenção para o preço dos bilhetes de cinema no Campo Pequeno, mais precisamente, para o bilhete "vip". Vou dar uma olhadela e...

Bilhete Normal - 5,60€ - Já com IVA 5% incluído
Bilhete VIP(BAR ABERTO) - 16,20€ - Já com IVA 5% incluído


16,20 €! Nada mais que o preço de 2 bilhetes, um balde de pipocas e uma bebida no meu cinema habitual, mas o que realmente me chamou a atenção foi ali a parte que explica para onde vai o dinheiro extra: A boa da bebedeira! E bebedeira... TAXADA A 5%.

Faz-me todo o sentido que EU ande a pagar IVA de 21% nas MINHAS bolachinhas e no MEU leitinho com chocolate para que os VIPS se possam desgraçar numa sala de cinema. Porque será que não taxam as pipocas e a coca-cola da mesma forma? E já agora, porque não um bilhete de cinema que inclua o avio do mês lá para casa? Não me chateia pagar 12000 euros por um bilhete de cinema se incluir um carro com desconto de 16% no imposto!

Genialidade a jorros, esta gerência do campo pequeno.

Espectáculo de sociedade...

Thursday, March 29, 2007

Antivírus

Só um pensamento:

O meu antivírus todos os dias actualiza, quando ligo o PC. Será saudável confiar num software para me proteger o pc, cujos responsáveis, todos os dias ao chegar ao emprego exclamam: "ÉEEE caralho, isto não 'tá bom"?

Thursday, March 01, 2007

Uma tarde na cidade

Pois é carissímos leitores, em Lisboa, este fim-de-semana diverti-me à grande com um grupinho de amiguinhos novos, gente sensível, e a quem dedico esta forma bem querida de escrever... ou não.

Não, na prática são cabrões como todos os outros, bem ao meu nível, e se assim não fosse, nem sequer tinha piada. Então, e começando pelo início, este foi mais um encontro com pessoal da net (levei um pequeno arsenal na mala do carro, como sempre o faço nestes casos, desde a caçadeira do meu pai até às tesouras de costura da minha mãe), ao qual compareci com estúpida pontualidade (o único borrego a estar a horas no sítio, para não variar), desta vez de um canal da ptnet, o #divxftp (nada a ver com filmes sacados ou qualquer outro tipo de ilegalidade, que me caia já aqui em cima
a actriz que faz de Grey se eu estiver a mentir).

O primeiro caramelo a aparecer, pasteleiro de profissão (e se gostaram desta, esperem até chegar ao outro, de baixa à um ano, à espera de ser operado, mas entretanto continuou a jogar à bola, etc.), transbordava cenário com o seu visual dark metal (embora só oiça martelinhos), cheio da correntes e merdas, segundo ele, feitas à medida. Delirei à brava. Mas impecável o chavalo, pecou ao não levar o prometido pastel de nata, mas a imagem mental dele de barrete de pasteleiro e batinha branca foi suficiente para a malta esquecer a fome.

Esperámos os 2 uns 15 minutos, sempre na conversa - o gajo era igualzinho ao que era na net, granda porco ahah - até que chegou o 2º personagem. Este era um imigrante português, de bigode rapado para disfarçar (embora não tenha dúvidas que lá fora, ostenta o dito com orgulho e imponência), oriundo da parte norte do continente americano, e como tal, odeia o bush, os EUA e tem um medo do FBI que até o messenger dele é encriptado. A profissão deste senhor é freelancer, ou seja, é profissional do não-fazer-cú, por conta própria. Sei por experiência que o gajo é fodido na informática (daqueles reles sem curso superior de engenharia que sabem mais disto que eu hmpf), amante do open source (perdi aqui 200 000 leitores confundidos já) e crítico atento das políticas de condicionalismo aplicadas à bruta. Um autêntico hippie cibernauta. De referir ainda a perfeita dicção do seu português, ganhou visivelmente com a vida lá fora, uma vez que não foi corrompido pelo português "dos morangos" que se fala agora por cá.

O último bacano, o mais novo, já era meu conhecido da bola (mostrei-lhe duas ou três coisas nas vezes que jogou contra mim), é o tal que meteu baixa à um ano para ser operado à cerca de 2 semanas. Sujeito alto (quase 2 metros), de porte clássico, brilhantemente disfarçado com o trabalhado look mitra, típico dos jovens de hoje que gostavam de ser do gueto, chegou ao meet no seu bólide rebaixado, de vidros fumados, com os 150 cavalos alimentados a gasolina 98, excelente para a cidade. O rapaz vinha acompanhado da sua dama, como quem diz, uma rapariga que também parava no canal na sua juventude mais imprudente, mas que depois ganhou juízo e percebeu que não estava ali a aprender nada de jeito. Todos concordaram imediatamente que ela era boa demais para ele.

Depois de todas as apresentações feitas, e a luta para arranjar estacionamento legal terminada, o pasteleiro queria agora pegar nos carros e ir até algum lado (qualquer distância acima dos 100 metros era demais para ir a pé) perder novamente 1 hora a arranjar lugar para estacionar, mas sem saber sequer exactamente para onde, estava apenas a evitar de toda a maneira atravessar a estrada que nos separava dos cafés (30 metros de alcatrão, mais 10 metros de passeio de cada lado, ida e volta = 100 metros a pé). A malta insurgiu-se e lá fomos a andar os 5, rumo aos armazéns do chiado, para comer qualquer coisa... barata. O cansaço foi tal que tivemos que nos sentar todos, já nos armazéns, a menos de 20 metros (depois de andar 1 km) do sítio onde iamos comer, durante 2 minutos. Passado esse tempo, com novo fôlego, lá arrastámos o cu para a mesa onde seriamos servidos, uma deslocação semelhante à de sair do quarto para ir para a cozinha jantar. Brilhante.


O jantar foi animado, com o pasteleiro a pedir uma coca-cola light, das coisas mais metro-sexuais que já vi, um homem feito, 1,80 m e 90 kg de músculo puxado a ferro, a pedir uma coca-cola light, mas pronto, cada um sabe de si. Eu também tenho a mania de pedir sumos sem gás, sa foda. Adiante.

Os tópicos de conversa foram variados, normalmente tudo um pouco voltado para as nossas vidas online, com o americano bastante caladinho, simplesmente não é a mesma coisa sem um computador. Deviamos ter ido todos para um ciber teclar uns com os outros. A rapariga a mesma coisa, mas acho que essa era mais vergonha pelo visual do namorado.

O ambiente estava porreiro, o grupo era simpático. Tanto que demoraram quase 2 horas até me chamarem taliban, devido ao meu muito invejado bronze natural. Durante toda a noite nem se ouviu o habitual comentário "quéfró" dirigido à minha galante e educada pessoa e termos discriminatórios como "monhê" não chegaram sequer a ser usados. Um muito obrigado, desde já!

Foram quase 3 horas de jantar, parece-me, algo que não é nada habitual em mim, que gosto de sentar, comer calado e levantar. Estava um socialóide nessa noite.

Depois de jantar, fomos até ao bairro alto em busca de um café ou bar para praticar o chamado "estar o máximo de tempo sentado consumindo o mínimo possível", mas ao que parece a coisa agora está mais para os restaurantes. O tráfico de droga, esse, continua em pleno, com alguns 20 ciganos posicionados estrategicamente a oferecer ganza (por enrolar, vergonha de serviço) a todos os transeuntes (desabafo - epá, não estou a ser racista, eram ciganos a vender droga, não eram brancos nem pretos, eram ciganos e estavam a vender droga, são factos, e vão-se foder se acham que isto é racismo, eles é que tavam a vender DROGA e não eu ou os outros - fim de desabafo). Assim, acabámos por ir até uma gelataria, sa foda o alternativo, esteve-se lá muito bem, a comida era toda boa, arrisco até dizer que foi o melhor chá de limão que bebi na vida. E quando o pasteleiro se ofereceu para pagar tudo, ainda soube melhor (o gajo era lá cliente habitual, meio mitra também, daqueles que arranjam telemóveis de 600 euros a 50, provavelmente até teve desconto ou algo, ou se calhar já tem este esquema todo de levar lá malta para provar aquelas maravilhas e depois o pessoal fica agarrado (eu da próxima vez estou lá, sem dúvida), se calhar até RECEBEU dinheiro e o pagamento da conta foi só fogo de vista).

Em suma, uma tarde/noite muito bem passada, com mais alguns conhecimentos adquiridos, rumo ao meu objectivo de ser primeiro-ministro (estou numa de conhecer o maior número de pessoas possível, já tenho 50 e tal amigos no hi5), e com uma ambição assim, tenho mesmo que aproveitar estas oportunidades para fazer amiguinhos!

E pronto...

Vinha eu aqui partilhar uma alegre experiência com o presado leitor, quando me vejo FORÇOSAMENTE obrigado a aderir à nova google account, que nem um cabrão dum endereço de mail me deu (tive que usar um da iol que já tinha), mas apenas... beleza superficial (?), pelo menos olhando assim de repente. Mas pronto, por acaso isto até está fofinho... :$

NAZIS!

Wednesday, February 28, 2007

Para variar, nada de jeito para dizer

Começar desde já a demonstrar a minha profunda indignação pelo facto dos senhores responsáveis por me alojarem o blog me estarem a pressionar fortemente para mudar a minha blogger account para uma daquelas novas contas do google ou que raios, sem eu ter pedido nada, simplesmente porque dizem que é "melhor". Se fosse melhor não implicava dar-me trabalho, que é o que aquilo parece. Atiram-me palavras caras como "migração" e não querem que fique preocupado. Metam a conta do google no cu, que eu já tive disso e o serviço de e-mail é uma merda. Netcabo é que é qualidade! (desde que meti o pacote de 8 mb que os gajos me telefonam quase todos os dias em tom açucarado a perguntar se estou satisfeito) - a resposta é "não" - estou a metade daquilo que pago, mas como também não tenho pressa, vou dar-lhes um tempinho para corrigirem a coisa. Entretanto podem continuar a limpar-me o rabinho peludo com lenços de seda que eu não me chateio. Adiante.

Esta vida cosmopolita que ando a levar, tira-me a inspiração para o blog. Quase não vejo notícias, filmes, séries. Passo o dia no escritório com a minha ligaçãozinha limitadíssima, que espremo ao máximo que consigo (browser e messiene), e quando vou para casa, passo o tempo no irc. Não se aprende nada. Tudo o que é motivo para gozar é aproveitado logo ali, não ando a guardar stock de parvoíces como antigamente, é como se o meu íman para a estupidez tivesse sido desligado.

Depois, se antes não tinha tempo para o blog, o que me deixava aborrecido, agora tenho tempo demais, tanto que não existe assunto suficiente para encher as longas horas que passo a coçar os tomates. Ainda por cima encavaram-me bem geograficamente, uma vez que o meu monitor está virado de frente para o resto do mundo, e qualquer videozinho é partilhado com a administração. Uma ou outra vez dá para rir, não fosse isto Portugal, o país onde desde o escravo até ao rei, toda a gente os coça, mas eu estar o dia todo a ver vídeos causa alguma inveja, apesar dos gajos ganharem rios de papel. Adiante.

Qual é a cena dos intervalos para o café? Eu não faço intervalo para café, posso sair uma hora mais cedo? Uma vez que é esse o tempo que demoram todos os intervalos que se fazem nas empresas em Portugal? Aqui há uns anos tive 2 semanas a trabalhar na linha de caganeira, nem um cabrão dum intervalo fiz para ir ao wc. Aguentava até à hora de saída todos os dias e aproveitava o intervalo para almoço. Entretanto depois, vim a saber que havia quem pedisse intervalo para ir fumar. Burro do caralho.

E já que estou numa de me queixar (apesar de até estar a atravessar um grande momento na minha vida - um gajo nunca está satisfeito), vou ter que falar aqui duma coisinha que é "certificação microsoft", e que anda a stressar as empresas hoje em dia, porque os clientes (borregos burros e ignorantes) ouvem boatos que dizem que só é bom o que é certificado, e como até usam o windows, vamos lá chamar os MCSE (Microsoft Certified Systems Engineer acho) porque esses é que são bons. E os gajos como eu, que olham para o windows e vêm 3 coisas (drag-&-drop, copy-paste, e next-next-next) pensam "mas como é que conseguiram fazer um CURSO desta merda?!" ou "800 contos para aprender a arrastar janelas?". Acho piada em como há milhares de interessados no curso, mas 99% deles nunca usaram o help. Agora a sério, já vos aconteceu não conseguirem fazer algo, irem ao help e no tópico que refere como o fazer só diz "vá tirar o mcse."? Para quando as certificações google? É que um gajo que saiba usar o google, isso sim, desenrasca qualquer berbicacho. Mete-se lá "my boss wants me to perform this particular task witch I am not qualified to do, and have no idea how to do it. can you help me? I feel like a dumbass" e como por magia surgem 10 mil links com informação sobre o assunto, e se deus quiser, patrocinados por anuncios porn. O Google devia ter um anuncio a dizer "Windows info? - 4000 bucks and no porn? try google!"

Que puta de contradição, começo o post a dizer mal do google, e acabo a dizer bem. Assim se vêm as mudanças na vida de um gajo, principalmente de um informático.

Thursday, January 25, 2007

No mundo corporativo...

...não existem conversas, existem reuniões. Não existe trabalho, existem projectos. Mesmo que o teu chefe venha ter contigo e te mande limpar os urinóis do WC, mesmo que algum esteja a ser usado (sacodes e afastas com jeitinho), quando falares com alguém fora da empresa vais dizer: "Hoje estive em reunião e fui designado para um novo projecto". Ninguém pergunta qual é porque quem não for da área pensa que não vai perceber e quem for já sabe a tanga que tás a dar.

O mundo corporativo - o 1º mês

É verdade caro leitor. Este pequeno jovem capitalista deixou a vida de luxo da função pública para tentar arranjar um emprego "a sério" (ou seja, fartou-se de ser escravo e foi ganhar guita que se visse).

O choque cultural foi grande. Existe com certeza muito a relatar, daria um grande post, mas vou optar por ir escrevendo aos poucos, publicando o que me vai passando pela cabeça, à medida que vou progredindo na carreira (uma palavra nova que conheci agora e da qual não sabia nada no meu emprego antigo).

Há ano e meio de função pública, o meu status era fodido. Coordenava algumas actividades, era responsável por alguns sistemas, até tinha uns estagiários a bulir para mim. Os altos conhecimentos e as amizades com os "boys" davam-me uma liberdade de movimentos e certos privilégios que foram difíceis de abandonar. O ordenado é que era o mesmo. E desde petiz que eu queria ganhar bem.

Assim, e motivado pelo ordenado estupidamente inflacionado que me estavam agora a oferecer (e que mesmo assim é bastante merdoso comparado com alguns tachos que há por aí), levantei-me com sorriso rasgado no meu 1º dia, bem antes da hora de entrada. O pequeno-almoço foi tomado em casa, com calma, duchezinho mensal tomado, barba feita à "gillete" com direito a cheirinho no fim e tudo. Meti-me no carro e enfrentei com boa-disposição uma das principais características do mundo empresarial: as filas de trânsito. 1 horita para chegar ao trabalho, bem diferente dos 5 minutos a que estava habituado.

A malta era impecável. Uns mais velhos, outros mais novos, todos ele(a)s muito fofo(a)s. Mas nem só de convívio vive um homem, e eu não me ligava à net à umas boas horas, os tremores começavam a aparecer.

"Vamos pedir acesso para ti." - Pedir?? Como pedir? Pedir a quem, carai?
"Aos espanhois acesso ao domínio, aos alemães acesso à net." - À NET?? TENHO QUE PEDIR??? NO SEC. XXI?? Foda-se, sabendo disto tinha trazido o portátil com uma puta duma placa 3g. Adiante.

Enquanto os acessos não chegavam, ia conhecendo os estagiários (todos sabiam mais daquilo que eu). Agora e ali, eu era o maçarico e notava-se bem.

O acesso à net, quando me foi facilitado, era retrógrado. Meus ricos tempos de linha analógica, a sacar a brutos 3 e 4 KBs do napster. Agora, não chegava à marca de 1 KBs, devido à merda de linha que tinhamos e que nos ligava aos espanhóis. E eu que sempre adorei espanhóis... Nunca esquecerei o que me disse um colega nesse dia: "Nós já moramos em Espanha, tu é que ainda não o sabes..." - Foda-se. Choque de realidade brutal.

E se a coisa tava mal, quando eu descobri que o messenger estava bloqueado, aí é que o desespero assentou. Pensei para mim mesmo: "Tem calma rapaz. É uma questão de tempo. Pensa na guita. Daqui a um ano já és boss outra vez..." - Pois, sim...

Ao final do dia, vá mais uma filazita de trânsito. Isto depois de arrotar 11 euros em estacionamento (ser maçarico é fodido). Chegar a casa 2 horas mais tarde que o habitual. Vai custar a habituar... mas mesmo assim, não foi mau demais.

E a partir do 1º dia, foi uma puta duma navegação ao nível do Vasco da Gama. Filas nunca mais, o caminho todo sabidinho, o estacionamento à borla ou pago pela empresa, a net já tá rápida, o msn já funca. O céu é de novo azul e os pássaros cantam a anunciar os ventos favoráveis que se adivinham.

Saturday, January 06, 2007

Mesmo título do anterior

Esta puta de saída de casa para ir um bocado ao jumbo foi pródiga em podres da nossa sociedade. Então não é que oiço no rádio, o novo anúncio da floribela, onde se ouve um miúdo a dizer "sabes quem é mega-ri-fixe e o caralho? Tu, mãe, se me comprasses os jogos da floribela". Consegui escrever. Vou só fazer aqui uma pausa para vomitar.

Então eu ou tu, como pais agora ou no futuro, vamos ser automaticamente uns desgraçados da merda, porque não compramos a porcaria dos jogos da puta da floribela? Basicamente, é o que a SIC está a insinuar. Ou não? Estarei a exagerar? A minha interpretação do anúncio é assim tão tendenciosa? E se sim, estarei maluco? Estamos a caminhar para um futuro onde quem não gostar da floribela deve ser internado? Deverei dirigir-me já ao hospital mais próximo, para tentar resolver este meu problema antes que seja tarde demais?

Não se trafica já aí qualquer droga que me ajude? Extracto de caspa da floribela, via nasal, ou assim.

Foda-se...

Exactamente, quão desprezível é você como ser humando, quando consegue passar por um miúdo da casa do gaiato a vender o conhecido jornal, e não é capaz de dar o caralho da quantia de 30 cêntimos, sabendo que está ajudar putos sem casa ou família, e ainda tem a lata de nem olhar para baixo, como se o chavalo fosse alguma espécie de criatura hedionda, que transforma filhos da puta em pedra com o olhar?

Foda-se, é que nem merece o ar que respira.

Tuesday, January 02, 2007

Finalmente

...temos um presidente da república capaz de discursar a uma velocidade tal, que a senhora da linguagem gestual no cantinho tem tempo de traduzir todas as palavras, assim como introduzir a correcta pontuação e até os variados ênfases gramaticais. Um grande bem haja ao nosso presidente, por pensar nos surdos de forma tão atenciosa.

Monday, January 01, 2007

E se...

O Toy conseguisse dar uma entrevista normal sem fazer figura de estúpido ao cantar uma das putas das letras de merda dele sem acompanhamento musical? Já me saiu furado um dos desejos para 2007.

O futuro

Passou-se realmente muito tempo desde a última vez que realmente me apeteceu dar umas neste blog. Mas sabem como é, ano novo, vida nova, e este ano vai começar com um post realmente estúpido, ao nível daquilo a que já vos tenho habituado.

Apesar de não estar relacionado, não consigo afastar da minha mente a ideia de que devo imortalizar esta minha passagem de ano aqui, no blog, pois foi uma noite que ficará guardada na minha memória, como parte da minha história pessoal e como a prova irrefutável do cromo que sou.

Assim, e sem mais demoras, eram 23h de dia 31 de Dezembro de 2006 e eu, engenheiro informático, 25 anos, estava sentado ao meu computador, sozinho, em casa, a discutir num canal do irc, sozinho, a piada que tinha a diferença horária de Portugal para Espanha, e em como facilmente se poderiam fazer 2 festas, uma à meia-noite de Espanha, outra uma hora depois, em Portugal, isto enquanto assistia na tv a um especial da Guerra das Estrelas intercalado com o Dança Comigo e a Floribela especial de fim-de-ano.

Isto poderia ser apenas triste, mas não. É patético. A verdade é que eu tinha opções: poderia ter saído, poderia estar a divertir-me com amigos, com família, beber uns copos, curtir uns fogos de artíficio, fazer alguma merda, fosse o que fosse. Mas, ao ver aquele especial da Guerra das Estrelas, sentado ao meu computador, de pijama, não havia realmente sítio onde preferisse estar. E isto é que é grave. Que eu tenha atingido tal nível de apatia em relação ao divertimento e à tradição festiva da altura, que tenha deliberadamente resolvido ficar em casa, entediado até aos cabelos, mas satisfeito pelo sossego e poupança financeira que daí resultou. Esta era a altura pela qual eu almejava todo o ano, o único oásis no deserto que é o ano gregoriano (à excepção do Verão e das jogas de futebol de praia depois do trabalho), e passou-me ao lado. Sem interesse, sem vigor, sem eu dar por isso. Enfim, que se foda, com sorte não foi a última e dificilmente a próxima será tão deprimente. Adiante.

Dada esta realidade, que partilhei não sei muito bem porquê e que em nada tem a ver para o objectivo do post, passei as primeiras horas de 2007 a ver um filme. O filme em si não merece sequer ser referenciado nesse aclamado blog de cinema, o eu-vi-um-blockbuster, mas a história do mesmo assenta num pressuposto que achei deveras pertinente.

Acontece que, ao longo da história, a humanidade tem vindo a evoluir, e umas das teorias que procura justificar essa evolução é o chamado processo de selecção natural, onde os mais fortes e inteligentes sobrevivem, pois são capazes de se reproduzir mais depressa que os restantes. No entanto, olhando para a realidade que temos, facilmente vemos um casal inteligente e fisicamente apto, a escolher não ter filhos devido aos factores da sociedade onde vivem, enquanto um casal de iletrados não pondera ter ou não ter filhos, simplesmente fodem como coelhos, sem o conhecimento da palavra "contraceptivo", e servem de seguida como exemplo à sua descendência, que provavelmente seguirá pelo mesmo caminho. O resultado directo é que um casal de ignorantes pode gerar até 200 descendentes em 4 gerações, enquanto um casal de prodígios gera 20. A humanidade está a viciar as regras do jogo, e prepara-se para ser desqualificada por... ignorância.

Esta puta desta ideia fez-me pensar. Se calhar devia pensar menos e fazer mais bebés...

Wednesday, October 25, 2006

A Vida Académica

Vamos lá a ver se eu me lembro como se escreve nisto... Enfim, o tempo não tem dado para grande coisa, e toda a gente conhece os meus padrões elevados, não me vou por a escrever por escrever. É preciso o feeling.

Encontro-me neste momento numa formação, mas como tenho a mania que sou bom e já sei tudo, vim aqui dar umas blogadas.

Então, um dia destes, à já para aí uma semana, eis-me que sou convidado para uma festa académica (coisa que já não via desde os meus tempos de caloiro). É certo que sempre houve jantares de curso, mas a verdade é que desde o 2º ano que a malta cagava no resto do curso e ia jantar a outro lado, mais fino e educado. Cá misturas é que não!

Em todo o caso, resolvi aceder ao convite, veio de uma amiga de longa data, que de vez em quando lá lhe dá para me querer aturar. A noite começou bem. Ela tinha combinado com as suas amigas universitárias alcoolizadas um ponto de encontro de fácil acesso, onde deveriamos ter ido ter. Infelizmente, sendo, a minha amiga de Grândola, a sua amiga da Moita, e o ponto de encontro em Setúbal, nenhuma delas fazia assim grande ideia de como lá ir ter, mas o pior é que pensavam que sabiam. Então, lá seguimos cegamente as indicações da gaja da moita durante um bom bocado, correndo basicamente tudo o que era rua. Ela só tinha uma certeza: Era entre a Av. Todi e a praia de Albarquel (2-3 km). Um fininho.

Desistimos passado um pouco, afinal somos 2 pessoas com cursos superiores, e só fazemos certas figuras até determinado ponto. Fomos então ter com um amigo meu (este sim, de confiança) a um sítio conhecido.

À chegada, uma agradável surpresa: Outro amigo meu, no meio de um encontro caliente. Ele é assim como eu, um gajo sério, pouco dado a grandes palcos, apreciador da sua privacidade. Notou-se que ficou encaralhado. Mas isso tudo passou quando reparou na minha amiga (sendo eu um gajo comprometido, era limpinho que eu é que me deveria encaralhar), e automaticamente aquele sorriso típico do "já foste apanhado, cabrão" surgiu-lhe no rosto. No entanto, um olhar mais atento revelou exactamente o mesmo sorriso da minha parte, e logo concluiu que a minha saída tinha sido aprovada pela minha mais-que-tudo, e que só havia um encaralhado entre nós (sim, gosto deste termo, e adequa-se na perfeição). Mais ainda, quando surgiu o meu outro amigo, que havia combinado sair connosco, todas as esperanças de me ter apanhado dissiparam-se por completo.

O mesmo sorriso acompanhou-me até sair do bar.

Após mais um conjunto de indicações por parte da perdida-da-moita, aventuramo-nos novamente em busca do dito local da festa. Desta vez a coisa correu melhor. Mesmo ao longe já se via uma pequena multidão a juntar-se em frente a um pequeno spot, como que a marcar o sítio com um "X". Let The Party Begin!

Foda-se. 5 minutos lá e já me sentia um velho. Miudinhas e pirralhos acabadinhos de sair da primária, a emborcar imperial que nem gente crescida (Imperial a 50 cent. para eles, 1,50 € para mim, que não sou puto e portanto mereço ser assaltado), cada um capaz de fazer de irmão(ã) mais novo(a) de qualquer puto dos morangos. Maçaricos, dos pés à ponta das cristas. Não sabia que as creches também tinham festas académicas. Adiante.

Para todo o Mal existe o Bem, para todo o Yang existe o Yin, para cada 6 benfiquistas existe um lagarto, o universo encontra forma de se equilibrar. Então, surge o corpo veterano. Uma entrada magnífica. De porte imponente. Ninguém diria que já eram veteranos quando eu entrei para a universidade, e que 7 anos depois ainda estão no 3º ano. Mas ao menos, eram homens e mulheres! E toda a gente desistiu do olhar "morte-ao-adulto" em direcção à minha pessoa. Agora, eu era um deles.

Ao menos a música ainda era do meu tempo, igual à que se ouvia quando eu saia em puto. É sempre bom ver (ouvir, neste caso) valores que não se perdem.

Estava a coisa a correr bem, quando aquelas duas palavras demoníacas surgem da boca do alegado DJ: "KARA OKEEEE!". O choque seria maior, não fosse eu já ter sido avisado que tal catástrofe poderia acontecer.

Ora, foi por esta altura que se deu a desilusão da noite. A minha amiga (sóbria, é certo, o que não ajuda), recusou-se a acompanhar as suas colegas de turma numa interpretação histórica de "Ao limite eu vou" das Não-Me-Lembro. Uma verdadeira facada nas costas. Não se nega um gozo destes a ninguém.

E foi após este momento vergonhoso que tudo acabou.

A não esquecer.

Tuesday, September 12, 2006

11/9

"CAPE TOWN, South Africa - More than a third of a million South Africans have died of
AIDS over the past year, the head of the country's Medical Research Council said Tuesday."

E eu vou chorar por 3000 americanos?

Monday, September 11, 2006

Ser tuga é...

...assistir a um concerto, ver a banda a sair e a aguardar atrás do palco que o público grite o SEU nome para o encore, mas só ouvir "POR-TU-GAL!!! POR-TU-GAL!!!" ahah

Wednesday, August 23, 2006

Eu vi um BLOCKBUSTER

A partir de agora, e por motivos de organização de ideias, as críticas aos filmes que vejo deixarão de ser publicadas neste blog de mau gosto. Assim criei um novo blog, sem caralhada, sem insultos infundados e completamente fícticios, e basicamente, sem muita piada (embora um gajo tente sempre meter qualquer coisa lá no meio, para não aborrecer).

Pressinto que o originalmente chamado "Cinema, por quem não sabe de." será um blog com futuro. Até porque, este que é aquilo que se sabe, já dura há quase 3 anos, e ainda ninguém teve o bom censo de enviar um cyborg do futuro para tentar acabar com ele (brutal piada cinematográfica).

Resta-me desejar-vos bons filmes, e dizer, para os menos perspicazes, que o url para este novo blog, está no link acima. De qualquer forma... aqui.

Friday, July 28, 2006

in Diário da República

"Lei nº 32/2006-Iª
AR
DR nº 143, de 26 de Julho

Procriação medicamente assistida."

Acho fofa a atenção, mas sinceramente há coisas em que não gosto de ser assistido.

Obrigado.

Monday, July 10, 2006

Menos AIIIIIIIIS

Hoje, os portugueses apercebem-se que, apesar de terem entrado no cordão humano, pagam mais 2 cêntimos por cada litro de gasolina que consomem, desde o ínicio do campeonato do mundo. Daí o "cooooooooorre mais!" (anda menos de carro e mais a pé, à corrida para não te atrasares) e o "quero muuuuuuito mais!" (do teu guito, pobre imbecil).

Wednesday, June 28, 2006

Curriculum Vitae - HowTo

Após ler uma frase interessante de um sujeito que não conheço de lado nenhum e não merece ser referido (quando se dá uma para a caixa ao mesmo tempo que as restantes centenas vão parar ao lixo, não se é merecedor de reconhecimento por ninguém), pensei que deveria partilhar mais uma vez consigo, caro leitor, um pouco da minha experiência como licenciado, uma vez que os restantes continuam a tentar atirar-lhe areia para os olhos, isto se, for gestor numa empresa.

Assim, vou explicar como é feito o famoso CV, aquele documento que pode ou não decidir todo o nosso futuro, a não ser que sejam um gaja e jeitosa, aí pode bastar um trabalhinho oral à pessoa certa, e da vossa disponibilidade para trabalhar com um porco tarado, que aceita um broche duma candidata na entrevista.

Existem muitas abordagens, técnicas, tácticas, toques pessoais, etc. para fazer um CV. E cada um tem as suas. No entanto, há algumas regras básicas que convém seguir, e é especialmente dessas que gostaria de falar.

1ª - Manter sempre 3 ou 4 CV's parcialmente distintos, completamente diferentes ou mesmo contraditórios, prontos a entregar. Cada emprego é um caso, e o CV deve ser sempre bem adequado ao tipo de emprego ao qual nos estamos a candidatar. Exemplo: Eu (ou não) lembro-me de uma vez ter realizado um trabalho de 3 folhas sobre os melhores lutadores do street fighter. Como pescador, isto não me dá grande vantagem em relação aos restantes candidatos à vaga no barco. No entanto, se fosse crítico de jogos, aí já incluiria, de forma detalhada o suficiente para ocupar meia folha A4, os motivos que me levaram a escrever o trabalho, o jogo, os lutadores e o número de horas que precisei para realizar tal análise, de forma tão concisa. E ocultava aquela vez que fui com uns amigos à pesca uma tarde e apanhei peixe (convenientemente não me lembro da quantidade exacta), o que me torna praticamente um profissional no ramo.

2ª - Antes de uma entrega, melhorar SEMPRE o CV. Como é óbvio, nunca se entrega o mesmo CV duas vezes. É SEMPRE possível melhorar o CV, e o como, depende do dia da semana e disposição no momento. Mesmo que, entre duas entregas de dois CV, não se faça mais nada que não seja coçar os tomates. Mesmo que se inclua no segundo: "Últimos 3 meses: Pausa para profunda introspecção".

3ª - Não incluir fotografia. No meu caso, é mais uma regra pela qual viver.

4ª - Não entregar um CV curto. Mesmo que não tenham feito nada, um CV curto é um CV chumbado. Mesmo que não tenham experiência profissional absolutamente nenhuma, relembrem aqueles biscates que fizeram quando eram novos (eu em pequeno, por exemplo, ajudava a minha avó na horta, se alguma vez tivesse ido para agricultura, já estava lançado). E mesmo não querendo ser agricultor, não é vergonha nenhuma saberem que sei o que é trabalhar, desde pequenino, ainda para mais, a carregar baldes de água (mais uma vez, não me lembro da quantidade exacta). Apesar disto, cuidado ao incluirem "simulações de medicina com a vizinha do lado" no CV, porque pode não ser bem entendido.

5ª - Finalmente, não menos importante, incluir aspectos positivos da vossa personalidade, passatempos, gostos, interesses, desde que, sejam aqueles que os psicólogos mais gostam, e que contribuem para vos traçarem um bonito perfil psicológico. Alguns exemplos: Desporto intelectual e físico, ler livros muito grandes e sem imagens, ir ao cinema ver filmes alternativos, reciclar, conduzir um híbrido, ser voluntário no hospital, gostar de desafios, lidar bem com situações extremas, ouvir chopin ou bach, escrever um blog (não como este) ou ir à igreja (hoje em dia, esta pode sair furada, ninguém gosta de um fanático religioso). Basicamente, tudo o que não vos identifique como alguém capaz de chegar um dia armado ao trabalho e disparar contra os colegas.

Mais um post educativo.

Friday, June 23, 2006

Portugal quando a selecção joga

Hoje, entre os relatórios detalhados das actividades desenvolvidas pelos jogadores da selecção em estágio na Alemanha, apanhei a notícia de que a General Motors iria fechar uma fábrica da Opel em Portugal, enviando para o desemprego mais algumas centenas de portugueses. Inquirido por um jornal fícticio inventado por mim, um transeunte que passava terá respondido à pergunta "O que pensa deste despedimento em massa, e da crise que assola o nosso país?" da seguinte forma:

"Crise? ESTAMOS NOS OITAVOS, CARALHO!!!!"

Mais burros que os portugueses em altura de mundial, só os americanos o resto do tempo.